Pode entrar nos planos de saúde: medicamento para câncer de próstata reduz em 78% a progressão da doença

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Por beatriz
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O câncer de próstata é hoje o mais incidente entre os homens no Brasil e a principal causa de morte na população masculina, de acordo com dados do INCA. A maioria dos tumores de próstata cresce lentamente, podendo levar cerca de 15 anos para atingir 1 cm³, embora alguns casos evoluam de forma acelerada.

Em geral, a doença é assintomática no início, o que reforça a importância da detecção precoce. Além disso, quando diagnosticado precocemente, o câncer de próstata tem até 90% de chance de cura. O tratamento pode incluir cirurgias, quimioterapia, radioterapia e uso de medicamentos de terapia hormonal para bloqueio da testosterona, hormônio responsável por “alimentar” o tumor.

Para os casos metastáticos — quando o câncer se espalha do local de origem para outras partes do corpo — nem sempre o tratamento com bloqueio hormonal é eficaz. Uma pequena parcela desses pacientes não responde ao tratamento hormonal, especialmente aqueles com mutações nos genes BRCA1 e/ou BRCA2.

Não há medicamento no Rol para pacientes com câncer de próstata e mutação de BRCA1/2

Nesse contexto, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) realiza uma consulta pública para avaliar a inclusão do medicamento Olaparibe no rol de tratamentos para estes pacientes. Atualmente, não há no rol da ANS um tratamento específico para pacientes com câncer de próstata com mutações em BRCA1 e BRCA2.

Diferente das terapias hormonais, o Olaparibe é um inibidor de PARP que atua diretamente no DNA, dificultando a correção de falhas causadas pela mutação. Esses medicamentos são terapias-alvo orais que bloqueiam a enzima PARP, essencial para o reparo do DNA. Traduzindo para uma linguagem mais simples, ao impedir que células cancerígenas — especialmente aquelas com mutações em BRCA1/2 — corrijam esses danos, o medicamento explora uma fragilidade do tumor e leva à morte celular.

De acordo com estudos, o Olaparibe demonstrou redução de 78% no risco de progressão da doença e 37% no risco de morte.

Participe da consulta pública: dê a sua opinião

A participação de pacientes, familiares, cuidadores e da sociedade civil é crucial para ampliar o acesso a esse tratamento. As contribuições podem ser enviadas até 30/3 pelo site da ANS, onde também estão disponíveis os documentos da proposta e demais informações. Para saber mais e participar, acesse o link:  https://componentes-portal.ans.gov.br/link/ConsultasPublicas

Por Beatriz Libonati

MTB nº 0088972/SP

Referências: 

  1. Mateo J, de Bono JS, Fizazi K, Saad F, Shore N, Sandhu S, et al. Olaparib for the Treatment of Patients With Metastatic Castration-Resistant Prostate Cancer and Alterations in BRCA1 and/or BRCA2 in the PROfound Trial. Journal of Clinical Oncology 2024;42:571–83. https://doi.org/10.1200/JCO.23.00339
  2. INCA. Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Disponível em: https://ninho.inca.gov.br/jspui/bitstream/123456789/17914/1/Estima2026_completo%20%281%29.pdf. Acessado em: 19/03/2026; 
  3. Braga SFM, da Silva RP, Junior AAG, et al. Prostate Cancer Survival and Mortality according to a 13-year retrospective cohort study in Brazil: Competing-Risk Analysis. Rev bras epidemiol. 2023;24:E210006.
  4. HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ. Câncer de próstata. São Paulo: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, [s.d.]. Disponível em: Câncer de próstata. Acesso em: 26 mar. 2026.

 

 


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