Pacientes oncológicos do HC-UFU têm tratamento interrompido por falta de medicamento

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O hospital emprestou 50 frascos de medicamento até que situação de reabastecimento seja normalizada; pacientes tiveram agendamentos reagendados

Pacientes oncológicos do Hospital do Câncer em Uberlândia tiveram tratamento interrompido na segunda-feira (05) por falta de medicação. O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), responsável pelo abastecimento do estoque, informou que houve uma falha no pedido do medicamento doxorrubicina.

O hospital realizou uma nova licitação com prazo até 16 de janeiro estipulado pelo fornecedor. Em nota, ainda informou que obteve 50 frascos emprestados, para garantir a “manutenção dos tratamentos em andamento”.

Hospital De Clínicas da UFU teve tratamento interrompidoPacientes oncológicos tiveram tratamento interrompido por falta de medicamento – Crédito: Paranaíba Mais

Vanessa Katia, de 32 anos, é paciente do Hospital do Câncer. Em conversa com o Paranaíba Mais, ela relatou que teve sua quimioterapia interrompida e não recebeu continuidade do tratamento com os frascos emprestados.

Porque parcientes tiveram tratamento interrompido

O HC-UFU divulgou em nota que na penúltima licitação não houve apresentação de propostas por parte dos fornecedores, o que inviabilizou a conclusão do pedido do medicamento doxorrubicina.

Um nova licitação foi realizada, com prazo de entrega pelo fornecedor até 16 de janeiro de 2026. Tendo em vista a falta do medicamento, o HC-UFU fez o empréstimo de 50 frascos com outro hospital da Rede Ebserh.

De acordo com a instituição, os pacientes que utilizam o medicamento poderiam ter seus atendimentos reprogramados ou seus protocolos assistenciais temporariamente ajustados, conforme avaliação da equipe médica e a regularização do fornecimento.

A equipe do Paranaíba Mais também pediu mais detalhes sobre o caso para o HC-UFU e para a Secretaria de Estado de Saúde, incluindo número de pacientes afetados pela falta da medicação. Até o fechamento desta reportagem, não houve novo retorno.

Qual a realidade dos pacientes

Vanessa não descobriu que tinha câncer em exames de rotina. Seu diagnóstico veio no dia 30 de outubro de 2025, depois de notar um inchaço na mama durante o banho.

“Fiquei bastante abalada. E 17 anos atrás minha mãe também teve câncer na mama. Tendo histórico, sabendo como é o processo, foi bem difícil até fechar o diagnóstico”, comentou.

A primeira quimioterapia foi realizada no dia 15 de dezembro. No dia 5 de janeiro, Vanessa faria sua segunda sessão, mas foi informada de que o hospital não tinha o remédio necessário.

documento de adiamento da quimioterapiaVanessa teve quimioterapia interrompida e precisou fazer tratamento particular – crédito: Arquivo pessoal/Reprodução

Seu médico decidiu adiar o tratamento para o dia 12 de janeiro, quatro dias antes do prazo estipulado pelo fornecedor para a entrega de mais medicamento.

O seu câncer é do tipo triplo positivo, e a interrupção pode permitir que o tumor cresça, se torne mais agressivo e se multiplique. Diante da incerteza sobre a reposição do medicamento, ela decidiu realizar a infusão de forma particular.

Para arcar com os gastos, utilizou recursos de uma vaquinha solidária que havia criado para a compra de uma peruca. Ela gastou R$ 2.500 para não ter seu tratamento interrompido.

Para Vanessa, o grande problema não foi a falta de remédio em si, mas a sensação de descaso com a solicitação de novos remédios. “Isso é uma falha de logística. Se o estoque está baixo, o pedido precisa ser feito com antecedência”, criticou.

Ela também questiona a falta de alternativas oferecidas pelo hospital. Segundo a paciente, havia a possibilidade de empréstimo do medicamento, mas ela não foi chamada. A justificativa recebida foi de que as doses disponíveis foram destinadas a pacientes em situação considerada mais crítica.

Agora, Vanessa está protocolando uma ação no Ministério Público para garantir que o medicamento esteja disponível ou que o Estado arque com o custo da dose. “Não dá para contar com isso de novo. Quantas vezes mais isso pode acontecer? Pode até voltar a acontecer, mas eu não posso me calar”, afirma.

Fonte: https://paranaibamais.com.br/saude/pacientes-oncologicos-do-hc-da-ufu-tem-tratamento-interrompido-por-falta-de-medicamento/#goog_rewarded


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