A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou mês passado, o webinário Informações Econômico-Financeiras da Saúde Suplementar. Depois alterar o final do parágrafo para: Os dados apresentados correspondem à prévia extraída do DIOPS mensal, que abrange cerca de 85% do mercado, antecipando o resultado que será consolidado com o envio dos dados trimestrais.
Resumo
O setor de saúde suplementar fechou junho de 2026 com mais de 53 milhões de beneficiários de planos de assistência médica e mais de 36 milhões de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos, mantendo tendência de crescimento gradual do número de beneficiários e redução progressiva do número de operadoras. A prévia do primeiro semestre de 2026 registrou receita total de mais de R$ 173 bilhões, dos quais quase R$ 155 bilhões em receitas efetivas de operação de planos de saúde, despesas totais superiores a R$ 161 bilhões, sendo R$ 126 bilhões em despesa assistencial, e lucro total de R$ 8,5 bilhões, correspondente a margem entre 5% e 5,5% sobre a receita. Considerando apenas as operadoras médico-hospitalares, o lucro acumulado foi de R$ 8,4 bilhões, com sinistralidade acumulada de 82,2%.
O resultado do primeiro semestre de 2026 apresentou lucro acumulado inferior ao mesmo período de 2025, ano descrito como de resultados recordes para o setor, mas superior ao de 2024, mantendo tendência positiva. A sinistralidade situou-se cerca de um ponto percentual acima da observada em 2025, elevação atribuída majoritariamente a uma mudança de política de provisionamento em uma grande operadora, ocorrida em fevereiro de 2026, que impactou os números agregados do setor. Acesse o Webinário.
ANS
Jorge Aquino, Diretor de Normas e Habilitação das Operadoras, abriu o webinário destacando que os dados apresentados representam cerca de 85% do mercado e reforçando o compromisso da diretoria com a devolução das informações ao setor regulado e à sociedade. Aquino registrou que este seria provavelmente o último webinário de sua gestão à frente da diretoria e agradeceu à equipe responsável pela tabulação dos dados.
César Serra, diretor adjunto da DIOP, contextualizou que os dados mensais de amostra representativa permitem projetar com clareza a direção do resultado semestral e anual. Serra recordou que o envio mensal de informações teve origem na necessidade, surgida durante a pandemia de Covid-19, de acompanhar o setor em base mais próxima do que a trimestral, prática posteriormente oficializada por meio do DIOPS mensal, instrumento apontado como ferramenta útil para o acompanhamento de parcela representativa do mercado.
Washington Reis, gerente de Habilitação e Estudos de Mercado, conduziu a apresentação técnica com recapitulação dos últimos quatro anos e detalhamento da prévia do primeiro semestre de 2026. Reis informou que a gestão iniciada em 2022 acompanhou crescimento do número de beneficiários no período pós-pandemia, com o setor fechando junho de 2026 com mais de 53 milhões de beneficiários de planos médico-hospitalares e mais de 36 milhões de planos exclusivamente odontológicos. O número de beneficiários mantém aumento gradual, ainda que em ritmo menos intenso que nos anos anteriores, enquanto o número de operadoras com beneficiários apresenta redução progressiva.
Sobre a evolução dos resultados, Reis registrou que o setor chegou a apresentar resultado negativo no acumulado de 12 meses em 2021 e 2022, iniciou recuperação em 2023 e alcançou lucro agregado recorde superior a R$ 23 bilhões para operadoras médico-hospitalares ao final de 2025. A melhoria dos resultados operacionais foi atribuída à redução da sinistralidade, decorrente principalmente de ajustes nas mensalidades e não de redução da despesa assistencial. O resultado financeiro foi impulsionado pelo contexto macroeconômico de taxa de juros mantida acima de 10% ao longo do período, o que ampliou o volume das aplicações financeiras das operadoras.
Reis detalhou a estrutura de monitoramento econômico-financeiro da agência. O DIOPS, principal fonte de informação econômico-financeira desde 2001, é enviado trimestralmente. A partir da RN 594, implementada na atual gestão, passou a existir o envio mensal para as operadoras dos segmentos S1 e S2 de grande e médio porte, além daquelas em procedimento de adequação econômico-financeira ou direção fiscal.
A classificação prudencial, baseada na RN 475 de 2021, organiza os entes regulados em quatro grupos, de S1 a S4, de forma proporcional ao volume de receita, modalidade, grupo econômico e peso dos beneficiários médico-hospitalares, permitindo racionalização dos recursos de regulação e supervisão. As operadoras S1 e S2 concentram maior volume de beneficiários e receitas e exigem ação regulatória mais célere, enquanto os grupos S3 e S4 reúnem administradoras de benefícios, operadoras exclusivamente odontológicas e operadoras de pequeno porte.
Reis informou que o DIOPS trimestral concentra 697 operadoras para o período de junho, enquanto o mensal reúne 214 operadoras, correspondentes a cerca de 30% do total, mas já representando mais de 84% dos beneficiários e cerca de 85% do volume de operação do setor. A amostra mais completa do setor ocorre apenas no fechamento anual, quando todas as operadoras enviam o DIOPS.
Quanto aos números da prévia do primeiro semestre de 2026, Reis apresentou receita total superior a R$ 173 bilhões, sendo quase R$ 155 bilhões em receitas efetivas de operação de planos de saúde, despesas totais superiores a R$ 161 bilhões, das quais R$ 126 bilhões em despesa assistencial, e mais de R$ 3 bilhões em impostos e participações, resultando em lucro total de R$ 8,5 bilhões. Considerando apenas as operadoras médico-hospitalares, o lucro acumulado foi de R$ 8,4 bilhões, com sinistralidade acumulada de 82,2%.
Reis ressaltou que o resultado acumulado de 2026, embora inferior ao de 2025, é superior ao de 2024, e que a elevação da sinistralidade em cerca de um ponto percentual em relação a 2025 decorre majoritariamente da mudança de política de provisionamento de uma grande operadora ocorrida em fevereiro de 2026, sem a qual os números estariam próximos aos do ano anterior. As aplicações financeiras do setor somaram mais de R$ 120 bilhões na amostra mensal, distribuídas entre aplicações livres e garantidoras. A projeção da diretoria é de fechamento da sinistralidade agregada do semestre na ordem de 82%.
Na etapa de perguntas, Gustavo Tiseu, analista do setor de saúde da XP, questionou se os números da prévia seriam disponibilizados na data do webinário ou após a agregação das operadoras faltantes. Washington Reis esclareceu que a divulgação dos painéis continuará trimestral, com o prazo de envio do DIOPS trimestral encerrando em 15 de agosto de 2026, e que os dados mensais não serão divulgados por ora, aguardando maior consolidação. César Serra acrescentou que a agência avaliará a viabilidade de disponibilizar os dados mensais em formato de dados abertos, ainda que não em painel dinâmico.
Em resposta a pergunta não identificada sobre o principal motivo do aumento da sinistralidade, Reis reiterou que o impacto observado a partir de fevereiro de 2026 decorre da alteração na política de provisionamento de uma grande operadora, que reduziu o volume de receitas consolidadas ao destinar parte da mensalidade à constituição de provisão. Excluído esse efeito, os números permanecem próximos aos de 2025.
Isabelle, analista de dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSEG), questionou a previsão de disponibilização do pacote CSV do DIOPS. Reis informou que a divulgação dos dados abertos e o webinário de consolidação ocorrem habitualmente de 10 a 15 dias após o encerramento do prazo de envio, com previsão de divulgação dos números do primeiro semestre consolidado no início de setembro de 2026.
No encerramento, César Serra e Jorge Aquino agradeceram à equipe técnica. Aquino registrou a ambição da diretoria por sistemas de monitoramento mais ágeis e próximos do tempo real, com uso de inteligência artificial e automação, e destacou que, por serem muitas operadoras de capital fechado e não listadas em bolsa, o mercado frequentemente só tem acesso às informações do setor por meio dos dados divulgados pela ANS.
Fonte: Assessoria de Imprensa.
Descubra mais sobre Biored Brasil
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.













