“Prescrição” por influenciadores digitais.
A busca pelo emagrecimento rápido atropela as barreiras de segurança médica. O avanço do conhecimento sobre a classe do GLP-1 no Brasil, que cresceu 17 pontos percentuais em relação ao ano passado, coincide com um crescimento de posts, vídeos e relatos de influenciadores digitais detalhando perdas de peso rápidas. Especialistas ouvidos pelo UOL alertam que a replicação dessas experiências individuais esconde que a obesidade é uma doença crônica e que cada corpo reage de forma diferente aos medicamentos, por isso a importância de procurar um médico.
Efeitos no organismo vão muito além da perda de peso na balança. O uso indiscriminado das canetas sem acompanhamento médico, e muitas vezes compradas no mercado ilegal, impede que as pessoas avaliem contraindicações e efeitos colaterais comuns, como náuseas severas, refluxo, alterações intestinais e riscos de desidratação. Além disso, a perda acelerada de gordura corporal promovida por esses remédios sem a devida orientação nutricional pode causar flacidez acentuada em várias partes do corpo e perda de massa muscular magra.
Saúde mental lidera as preocupações
O bem-estar psicológico supera o medo de doenças físicas no país. Além do boom das canetas antiobesidade, o relatório da Ipsos mostra que a saúde mental se consolidou de forma inédita como a maior preocupação de saúde dos brasileiros, sendo apontada por 58% dos entrevistados. O índice representa um salto de seis pontos percentuais em relação ao ano anterior e coloca o Brasil bem acima da média global de atenção ao tema, que é de 48%.
Logo depois da saúde mental, aparecem câncer (37%), estresse (29%), abuso de drogas (27%) e obesidade (25%) como as maiores preocupações. Em seguida aparecem abuso de álcool (18%), diabetes (17%) e doenças cardíacas (15%). Os resultados refletem a percepção da população sobre os principais problemas de saúde enfrentados no país e não a incidência ou prevalência dessas condições na população.
Mulheres e jovens são os mais afetados pelo desgaste cotidiano. O peso das cobranças e o ritmo de vida moderno afetam os grupos de forma diferente: 68% das mulheres brasileiras identificam a saúde mental como um dos principais problemas de saúde do país, contra 47% dos homens. No cenário das rotinas diárias, 64% da população geral relata que o estresse prejudicou suas atividades cotidianas ao menos uma vez no último ano.
Prevenção é o maior gargalo do sistema de saúde
Falta de investimento em medicina preventiva como principal problema. Quando questionados sobre as falhas estruturais do sistema de saúde nacional, 41% dos brasileiros apontaram a falta de investimento em prevenção como um dos principais problemas enfrentados. Entre os 32 países participantes da pesquisa da Ipsos, o Brasil foi o que registrou o maior percentual nessa queixa, evidenciando que o modelo de saúde do país foca em tratar a doença depois que ela já está instalada, em vez de evitá-la.
Números também mostram diferenças no acesso aos serviços. Enquanto 39% dos brasileiros concordam que é fácil conseguir uma consulta com médicos na região onde vivem, 73% consideram fácil ter acesso a uma farmácia.
Custo elevado e tempo de espera longo travam o acesso à saúde. O retrato da desassistência é reforçado pela percepção financeira: 80% das pessoas no país concordam que a maior parte da população não consegue pagar por bons serviços de saúde privados. Somado a isso, 76% consideram longo demais o tempo de espera para conseguir consultas ou exames e 64% apontam que o sistema de saúde como um todo está completamente sobrecarregado.
Sobre a pesquisa
O Monitor da Saúde 2026 (Ipsos Health Service Report 2026) foi realizado de forma online entre os meses de julho e agosto de 2026. Foram entrevistados 22.528 adultos em 32 países, incluindo uma amostra representativa de aproximadamente mil participantes no Brasil.
Fonte: UOL.
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