Com o aumento do uso dos análogos de GLP-1, cresce também o interesse por entender como esses medicamentos agem no organismo. Veja o que as evidências mostram até agora.
As canetas emagrecedoras deixaram de ser assunto restrito aos consultórios médicos e passaram a ocupar espaço nas redes sociais e em conversas entre amigos. Mas, à medida em que cresce o interesse por medicamentos à base de análogos de GLP-1, também aumenta a circulação de informações imprecisas. Médicos defendem que é preciso diferenciar resultados comprovados de conclusões sem respaldo científico.
“Os pacientes chegam ao consultório com muita informação solta e pouca clareza sobre o que realmente é comprovado. Um dos avanços mais relevantes da semaglutida é que o corpo perde peso de forma potente e seletiva, priorizando a perda de gordura, o que favorece um resultado mais eficiente quando o tratamento é acompanhado de perto”, afirma a endocrinologista Tassiane Alvarenga, especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo a médica, aliar o tratamento à atividade física resistida e ingestão adequada de proteína contribui ainda mais para preservar os músculos e para a manutenção do peso perdido ao longo do tempo.
A semaglutida, substância presente nos medicamentos Wegovy® e Ozempic®, transformou o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, sob o olhar atento da comunidade científica. Hoje, já existem estudos robustos que permitem uma visão clara do que médicos e pacientes podem esperar como resultado do uso dos medicamentos. Confira o que já é sustentado por estudos clínicos e o que não passa de mito.
1. A maior parte da perda de peso ocorre às custas da gordura: Verdade
Estudos mostram que cerca de 84% da perda de peso com semaglutida corresponde ao tecido adiposo (gordura)¹. Além disso, há redução da gordura visceral e da gordura acumulada no fígado, rins e músculos, enquanto a função muscular tende a ser preservada quando o tratamento é conduzido adequadamente.
2. A semaglutida pode aumentar a expectativa de vida: Verdade
Uma análise de mais de 19 mil pacientes estimou ganho médio de 1,9 ano de vida e aproximadamente 2 anos a mais sem a ocorrência de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC15.
3. O medicamento não substitui mudanças no estilo de vida: Verdade
Todos os grandes estudos clínicos associaram o uso da semaglutida a uma alimentação saudável e à prática regular de atividade física. O tratamento medicamentoso é considerado uma ferramenta, e não um substituto de hábitos saudáveis.
4. A semaglutida provoca queda de cabelo: Mito
Até o momento, não há evidência de uma relação causal direta. Nos estudos com Wegovy, a queda de cabelo foi relatada em 3% a 5,3% dos pacientes, principalmente entre aqueles que perderam mais de 20% do peso5. Segundo os pesquisadores, o fenômeno parece estar mais relacionado ao estresse fisiológico do emagrecimento do que ao medicamento em si.
A endocrinologista ressalta que a semaglutida representa um dos principais avanços recentes no tratamento da obesidade, mas seus melhores resultados aparecem quando o medicamento faz parte de uma estratégia mais ampla de cuidado. “A semaglutida trouxe resultados importantes para o tratamento do diabetes e da obesidade, que são doenças crônicas e multifatoriais, mas o sucesso depende de acompanhamento médico, associado a hábitos saudáveis. Ou seja, é importante associar o tratamento farmacológico com a medicina do estilo de vida”, conclui Tassiane Alvarenga.
Referências:
- Hjelmesæth J et al. Presented at the European Association for the Study of Diabetes (EASD) 61st Annual Meeting, 15–19 September 2025; Vienna, Austria.
- Weghuber D et al. Once-Weekly Semaglutide in Adolescents with Obesity. New England Journal of Medicine. 2022.
- Novo Nordisk. Periodic Safety Update Report (PSUR): Semaglutide (Ozempic®, Rybelsus® e Wegovy®).
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualização sobre pedidos de registro de semaglutida. 2026.
- Wilding JPH et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity (STEP 1). New England Journal of Medicine. 2021.
- Garvey WT et al. Two-year effects of semaglutide in adults with overweight or obesity: STEP 5. Nature Medicine. 2022.
- Kadowaki T et al. Semaglutide once a week in adults with overweight or obesity. The Lancet Diabetes & Endocrinology. 2022.
- Bliddal H et al. New England Journal of Medicine. 2024.
- Batterham RL et al. American College of Obstetricians and Gynecologists Annual Clinical and Scientific Meeting. 2021.
- Novo Nordisk. Periodic Safety Update Report (PSUR) – dados de farmacovigilância.
- Lincoff AM et al. Semaglutide and cardiovascular outcomes in obesity without diabetes. New England Journal of Medicine. 2023.
- Sanyal AJ et al. Phase 3 Trial of Semaglutide in Metabolic Dysfunction–Associated Steatohepatitis. New England Journal of Medicine.
- Rasouli N et al. American Diabetes Association Scientific Sessions. 2025.
- Arnaut T et al. Impact on food noise after initiating semaglutide treatment (INFORM). EASD Annual Meeting. 2025.
- van Sloten TT, Hageman SHJ, Westerink J, Capucci S, Fernandes JDR, Holloway S, et al. Projected life-year gains with semaglutide in individuals with cardiovascular disease without type 2 diabetes in the UK. Endocrine Connections. 2026.
Fonte: Assessoria de Imprensa.
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