Desperdício bilionário: Ministério da Saúde incinera, em 2025, medicamentos, vacinas e insumos que custaram R$ 108 milhões

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Desperdício bilionário: Ministério da Saúde incinera R$ 108 milhões em 2025 e parte estava dentro da validade

A falta de planejamento na gestão de estoques do Ministério da Saúde voltou ao centro das críticas após a revelação de que, apenas em 2025, foram incinerados R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos. O dado chama ainda mais atenção porque 17,1% desse total — o equivalente a R$ 18,5 milhões — ainda estavam dentro do prazo de validade, evidenciando falhas que acabam penalizando diretamente a população.

Embora o montante seja menor do que o registrado em anos anteriores, o número ainda supera com folga os níveis pré-pandemia. Entre os itens descartados estão medicamentos de alto custo, anticorpos monoclonais usados no tratamento de câncer, tratamentos para doenças raras, vacinas contra a dengue e até equipamentos hospitalares. Dois kits completos de monitoramento de glicose, com validade até dezembro de 2050, também foram destruídos.

DESCARTES

Casos emblemáticos incluem o descarte de unidades de blinatumomabe, indicado para Leucemia Linfoblástica Aguda, ao custo de R$ 141 mil cada, e de brentuximabe vedotina, utilizado contra linfomas, com preço unitário superior a R$ 88 mil. Parte dos itens havia sido adquirida por decisão judicial, o que reforça a necessidade de maior controle logístico.

Em três anos da atual gestão federal, o total incinerado chega a R$ 2 bilhões — mais de três vezes o valor descartado durante todo o governo anterior. O pico ocorreu em 2023, quando o volume atingiu R$ 1,3 bilhão.

AUDITORIA CGU

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou descontrole na aquisição e distribuição dos insumos e recomendou uma série de medidas para reduzir perdas. O ministério afirma que as recomendações já foram implementadas ou estão em fase final e sustenta que a taxa de incineração em 2025 ficou em 1,48% do estoque, com meta de cair para 1% em 2026.

Apesar das justificativas oficiais — que incluem flutuação de demanda, mudanças epidemiológicas, judicialização e não conformidade técnica —, especialistas alertam que a falta de planejamento impacta diretamente o atendimento à população, que enfrenta filas, escassez de medicamentos e dificuldade de acesso a tratamentos de alto custo.

NOTA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

“A atual gestão do Ministério da Saúde transformou a gestão dos estoques do SUS, superando o cenário deixado pelo governo anterior, marcado por sistemas defasados e deficiências acumuladas que levaram às perdas apontadas pelo relatório da CGU. As medidas adotadas atendem às recomendações do órgão de controle e consolidam um marco de transparência e eficiência na logística do SUS – absolutamente incomparável com o cenário anterior. Entre elas: modernização digital, criação de uma Sala de Situação, monitoramento contínuo, compras com entregas flexíveis e uso de modelos preditivos.

Com esses avanços, a taxa de incineração em 2025 passou para 1,48% do estoque e deve atingir a meta de 1% em 2026, conforme pactuado junto aos órgãos de controle.

Não cabe falar em desperdício diante do ressarcimento aos cofres públicos e cumprimento de regras sanitárias. A incineração das vacinas contra a dengue e dos diluentes da tríplice viral ocorreu por não conformidade técnica dos produtos. Já os medicamentos judicializados, como o palbociclibe, após devolução pelas pacientes ou justiça, foram descartados uma vez que o retorno ao estoque é proibido, conforme a RDC Anvisa nº 430/2020.

Os medicamentos e insumos incinerados por não conformidade técnica são repostos ou ressarcidos, conforme cada contrato. Todas as ações recomendadas pela CGU já foram cumpridas ou estão em fase final de execução.”

Fonte: Ceara Agora.


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