Ministro da Saúde defende multilateralismo, acesso à inovação e justiça climática em Assembleia da OMS, em Genebra

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A delegação brasileira apresentará, até o dia 20, na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, na Suíça, iniciativas estratégicas voltadas à saúde mental e reforçará a liderança do Brasil nas pautas globais de saúde pública

Para reforçar o protagonismo do Brasil nos debates globais sobre saúde pública, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, neste domingo (17), em Genebra, na Suíça, de evento de alto nível sobre acesso à inovação em saúde global. A agenda antecede a abertura da 79ª Assembleia Mundial da Saúde, que acontece nesta segunda-feira (18), quando o ministro discursará, na Sessão Plenária, em nome do Brasil, defendendo o fortalecimento do multilateralismo.

Até o dia 20, a delegação brasileira participará de discussões de alto nível durante a Assembleia, além de encontros bilaterais e eventos paralelos para tratar de temas como saúde mental, inovação, alimentos ultraprocessados e integração entre clima e saúde.

Neste domingo, durante a primeira reunião de alto nível, o ministro reforçou que o futuro da inovação em saúde deve estar comprometido com a vida, a equidade e a saúde pública. “O futuro da inovação em saúde global deve ser guiado por um princípio simples: a inovação deve servir à vida, à equidade e à saúde pública. Ela não deve aprofundar dependências nem reproduzir exclusões. Deve fortalecer os sistemas de saúde, ampliar o acesso e responder às realidades dos países e das comunidades”, afirmou Alexandre Padilha.

O ministro também destacou o papel estratégico da Unitaid na ampliação do acesso a tecnologias em saúde e relembrou a trajetória brasileira na garantia do tratamento universal contra o HIV/AIDS. “Nos últimos 20 anos, a Unitaid desempenhou papel fundamental ao reduzir a lacuna entre inovação e acesso, ajudando a transformar ciência e evidências em soluções concretas para as pessoas e os países que mais precisam. O Brasil tem orgulho de fazer parte dessa história desde sua criação, durante o governo do presidente Lula”, destacou.

Padilha também ressaltou que o compromisso brasileiro com o acesso universal à saúde está diretamente ligado à concepção da saúde como um direito humano. “Neste ano de 2026, o Brasil celebra os 30 anos da lei que garantiu o acesso gratuito aos medicamentos antirretrovirais pelo SUS. Há três décadas, durante a epidemia de AIDS, o acesso ao tratamento estava concentrado nos países do Norte Global. O Brasil mostrou que era possível oferecer tratamento universal e gratuito, salvando vidas e mudando o curso da epidemia no país”, afirmou.

Brasil na 79ª Assembleia Mundial da Saúde

O ministro cumpre missão oficial na Suíça entre os dias 17 e 20 de maio, com agendas em Genebra voltadas ao fortalecimento do multilateralismo, à promoção da justiça climática, ao debate sobre acesso à inovação em saúde e à regulamentação das apostas on-line como questão de saúde pública. Além da participação nos debates centrais da Assembleia Mundial da Saúde, a delegação brasileira terá destaque em painéis temáticos sobre pautas em que o Brasil tem assumido protagonismo internacional, como saúde mental, produção regional de tecnologias em saúde e combate às desigualdades no acesso a tratamentos.

A agenda também inclui reuniões bilaterais com autoridades estrangeiras e representantes de organismos internacionais, com foco no fortalecimento da cooperação técnica e na ampliação de parcerias estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

No segundo dia de atividades, na segunda-feira (18/5), após a abertura da Assembleia, seguida de debates sobre o papel da Atenção Primária à Saúde na promoção da equidade entre Europa, América Latina e Caribe. Um dos destaques da participação brasileira será a apresentação do Plano de Ação de Saúde de Belém, iniciativa que busca garantir a continuidade e a integração das ações de clima e saúde na transição entre a COP30, sediada pelo Brasil, e a COP31, que será realizada na Turquia. O debate terá foco na manutenção da relação entre saúde e clima tanto na agenda de ações quanto nas negociações internacionais, com participação de representantes do Brasil, da Turquia e dos Emirados Árabes Unidos.

Na terça-feira (19/5), o ministro Alexandre Padilha poderá discursar em nome do Brasil na Sessão Plenária. Ao longo do dia, participará de discussões voltadas ao avanço da soberania em saúde e da produção local de tecnologias estratégicas, além de um painel sobre os impactos dos alimentos ultraprocessados na saúde.

O objetivo do ministro é apresentar evidências científicas atualizadas sobre os efeitos dos alimentos ultraprocessados na saúde humana e discutir soluções intersetoriais para promover ambientes alimentares mais saudáveis. Alexandre Padilha fará o discurso de abertura do painel, que contará ainda com representantes da França, do México e do Uruguai.

Ainda no mesmo dia, será celebrado o primeiro ano da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo à Saúde. Desde o lançamento, a iniciativa fortaleceu o diálogo político entre governos e instituições parceiras e avançou em ações concretas, como a primeira chamada internacional de propostas voltada ao enfrentamento da dengue. A cerimônia contará com discurso de abertura do ministro Alexandre Padilha, presidente do Comitê Diretivo da Coalizão, e do presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Mário Moreira, responsável pela gestão do secretariado executivo da iniciativa.

Para encerrar, na quarta-feira (20/5), o ministro Padilha participa de debates sobre os impactos das apostas e jogos on-line na saúde mental da população. Na ocasião, o Brasil compartilhará experiências relacionadas à regulamentação, prevenção e respostas dos sistemas de saúde diante do crescimento dos transtornos associados às apostas digitais, com o objetivo de incentivar a adoção de medidas protetivas voltadas à saúde pública.

Durante o debate, será lançado o Observatório de Jogos e Apostas, plataforma voltada à produção, integração e análise sistemática de dados sobre jogos de apostas e seus impactos na saúde mental e na organização do cuidado no SUS. O Observatório funcionará como uma instância permanente de inteligência em saúde, reunindo dados regulatórios, informações assistenciais e produção científica para subsidiar a formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas.

Victor Almeida
Ministério da Saúde

Fonte: GOV.


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