A Interfarma lançou, nesta segunda-feira (10), em Brasília, o estudo Saúde Suplementar em Transição: Acesso à Inovação e Valor Assistencial, elaborado em parceria com a L.E.K. Consulting. O levantamento analisa os gastos das operadoras de planos de saúde, as ineficiências assistenciais e os desafios relacionados à incorporação e ao acesso a novas tecnologias no setor.
Segundo o estudo, as operadoras desembolsam entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões por ano com medicamentos de alto impacto clínico, enquanto fraudes, desvios, sobreutilização, redundâncias e baixa resolutividade assistencial representaram aproximadamente R$ 52,5 bilhões em 2024, podendo alcançar R$ 75 bilhões considerando as estimativas máximas. De acordo com o levantamento, essas despesas correspondem a entre 1,5 e 2 vezes o valor destinado aos medicamentos de alto impacto clínico.
Na análise por beneficiário, o estudo estima que, de uma despesa média anual entre R$ 6 mil e R$ 7 mil por usuário, aproximadamente R$ 600 a R$ 700 são destinados a medicamentos. Já as despesas relacionadas a fraudes, desvios, sobreutilização, redundâncias e baixa resolutividade assistencial representariam entre R$ 1.050 e R$ 1.500 por beneficiário ao ano. A publicação também registra que os medicamentos correspondem atualmente a cerca de 7% das despesas assistenciais das operadoras.
O levantamento aborda ainda o acesso a novas tecnologias na saúde suplementar. Segundo os dados apresentados, a média anual de incorporações de medicamentos no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) teria caído de 18,5 em 2019 e 2020 para sete entre 2021 e 2024. O estudo aponta também que 25% das tecnologias recomendadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e avaliadas pela ANS resultaram em novas inclusões no Rol, equivalente a uma média de sete incorporações por ano.
A publicação identifica como desafios para o acesso à inovação o tempo necessário para que novos tratamentos cheguem aos pacientes, a desaceleração da incorporação de tecnologias e lacunas regulatórias relacionadas a terapias avançadas e medicamentos orais destinados a doenças raras e crônicas. O estudo também destaca que o modelo atual concentra a cobertura de medicamentos principalmente no ambiente hospitalar, enquanto terapias de uso domiciliar, medicamentos orais e terapias avançadas enfrentariam maiores barreiras de acesso.
Durante o evento de lançamento, a diretora de Acesso ao Mercado da Interfarma, Helaine Capucho, apresentou os resultados do estudo e abordou a contribuição dos medicamentos para a melhoria dos desfechos em saúde. Segundo a entidade, os tratamentos medicamentosos teriam contribuído com 56% do aumento da expectativa de vida no Brasil nas últimas décadas, enquanto, na oncologia, as terapias medicamentosas responderiam por 30% da sobrevida em doença metastática.
Após a apresentação, o presidente-executivo da Interfarma, Renato Porto, participou de uma discussão com o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, e a conselheira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Daiane Lira. Damous defendeu maior articulação entre ANS, Anvisa e Conitec e afirmou que a incorporação de tecnologias deve ser baseada em evidências científicas. Daiane Lira abordou a judicialização da saúde suplementar e destacou a necessidade de analisar os fatores que levam pacientes a recorrer ao Judiciário para obter acesso a tratamentos.
O evento reuniu mais de 180 participantes, entre autoridades públicas, parlamentares, representantes da regulação sanitária, lideranças da saúde suplementar, entidades setoriais, indústria farmacêutica, organizações de pacientes e imprensa especializada. A discussão teve como foco os dados apresentados no estudo e os desafios relacionados à sustentabilidade da saúde suplementar, ao acesso à inovação e à assistência aos beneficiários.
Fonte: Assessoria de Imprensa.
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