Hospitais e farmácias sofrem com falta de medicamentos em meio ao aumento de doenças respiratórias

Entenda os motivos que levam à falta de medicamentos em farmácias e hospitais do País

Após dois anos suspensas por causa da pandemia de covid-19, as festas de São João voltaram em 2022 e com elas a fumaça proveniente das fogueiras e dos fogos de artifício, que associada ao período do inverno é uma combinação preocupante para quem sofre de doenças respiratórias.

De acordo com o Ministério da Saúde, as infecções mais comuns observadas no período são: sinusite, gripes e os resfriados e o agravamento de outras, como rinite alérgica, asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Como ainda estamos em meio à pandemia, os sintomas gripais se confundem com a covid-19 e a procura por emergências, remédios e testes se intensificou.

Durante o Passando a Limpo, da Rádio Jornal, representantes de farmácias e hospitais repercutiram a falta de medicamentos que atinge unidades em todo o país.

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JUSTIFICATIVA Alta do dólar, lockdown na China e guerra na Ucrânia são fatores que atrapalham a produção – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Os entrevistados apontaram que as principais causas dessa escassez são externas, como a alta do dólar, a instabilidade pela guerra na Ucrânia e o abre e fecha por causa da Covid na China, principal fornecedora de matéria-prima para medicamentos e embalagens, além da desindustrialização no Brasil.

“Nós já vínhamos enfrentando problema de abastecimento desde o início da pandemia, a falta de EPI e de medicamentos trouxe à tona a grande dependência de importações da Índia e da China. Houve uma desindustrialização no Brasil e, além disso, os insumos importados passam por pareamento do preço do dólar. Recentemente o Ministério da Saúde liberou medicamentos para preço livre, alguns apareceram, outros não. Essa crise de antibióticos, antitérmicos, relacionados ao atendimento das crianças, traz grande dificuldade. Houve desestruturação do parque industrial farmacêutico e a consequência é essa, o mercado não vai ter prejuízo para vender medicamento barato. Não tem uma regulação, não tem fabricação”, explicou o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Laboratórios de Pernambuco (Sindhospe), George Trigueiro.

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Como citado por Trigueiro, o Ministério da Saúde publicou uma resolução que libera critérios de estabelecimento ou de ajuste de preços em medicamentos com risco de desabastecimento no mercado, e fez a inserção de medicamentos na lista de produtos com redução do imposto de importação sobre insumos.

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Valéria Gomes de Castro, gerente da Drogaria Quatro Cantos – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Gerente da Drogaria Quatro Cantos, no Recife, Valéria Gomes de Castro explicou que os medicamentos estão voltando, gradativamente, às prateleiras.

“Passamos por momento de muita dificuldade para adquirir alguns tipos de medicamento, isso ocorre desde o início do ano, só mudou a virose. Há agora um surto gripal intenso que coincide com aumento nos casos de covid. Então, algumas medicações como antitérmicos, antibióticos, analgésicos e antitussígenos estão em falta, mas gradativamente alguns já voltam à normalidade. Ainda assim, pela alta demanda, temos dificuldade de adquirir e do consumidor comprar esses medicamentos.”

Testes para covid nas farmácias

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Teste para covid tem alta procura nas farmácias – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Como o JC tem mostrado, com a maior da demanda por testes de diagnóstico de covid-19 em Pernambuco, as unidades que ofertam os exames passaram a ter longas filas e aumento do tempo de espera nos últimos dias.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Pernambuco (Sincofarma-PE), Oséas Gomes, disse que, mesmo com a alta procura, não há relato de desabastecimento de testes para covid nas farmácias. Na verdade, segundo ele, nem todas as farmácias possuem autorização para realizar o teste, somente vender o autoteste.

Sobre os medicamentos, Oséas diz que faltou planejamento dos laboratórios, que foram surpreendidos pela pandemia. “Vivemos um momento diferente de outas épocas. Tínhamos remédios sobrando. Hoje, estão faltando. E isso se divide em fases. Primeiro, a pandemia se expandiu e, agora, que a covid está um pouco mais calma, chega o problema das crianças, com inverno, precisando de alguns produtos e eles não têm, porque ninguém imaginava que a pandemia se espalharia como aconteceu e os laboratórios não se preveniram em relação a essa demanda, com insumos insuficientes para determinados produtos como antitérmico, analgésico.”

O Conselho Federal de Farmácias listou mais de 40 medicamentos em falta. Entre eles, dipironas, paracetamol bebê e amoxicilina com clavulanato. Todos usados com o aumento de doenças respiratórias. Em entrevista recente à CNN, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a oferta de medicamentos no país está equilibrada, e que foram identificados problemas pontuais de demora na entrega destes produtos. Ainda segundo Queiroga, algumas questões não são exclusivas do governo federal.

“Alguns medicamentos não são da competência do Ministério da Saúde adquirir. Mesmo assim, o governo, através de políticas públicas, procura atenuar o problema. É por isso que defendemos o fortalecimento dos complexos industriais de saúde a nível mundial. Há também medicações excepcionais, do chamado componente especializado, da atenção especializada à saúde que é de responsabilidade do Ministério. Para se ter uma ideia, no componente básico da assistência farmacêutica, o Ministério da Saúde coloca mais se seis reais por pessoa, para que os municípios possam adquirir seus medicamentos, enquanto os municípios e os estados colocam menos de três reais por indivíduo. Então o governo faz a sua parte”, acrescentou.

Queiroga disse, ainda, que a relação com a indústria farmacêutica é baseada na demanda nacional para evitar gastos excessivos. “Lembrar que a indústria visa lucro, então temos que ter controle muito fino dessa relação, porque se nós liberamos tudo já sabe o que acontece, né”, concluiu.

Cuidados

Crianças abaixo de cinco anos, devido à imaturidade do sistema imunológico, idosos acima de 60 anos e imunossuprimidos pertencem ao grupo que gera maior preocupação com as infecções respiratórias. Por isso, é fundamental estarem vacinados contra a gripe.

Apesar de os sintomas variarem entre cada doença, no geral, tosse (podendo ter secreção ou não), congestão nasal e coriza são sintomas comuns. Essas manifestações podem ser acompanhadas de febre. É importante ressaltar que todos os sintomas devem ser avaliados por um profissional de saúde, principalmente nos casos de febre alta, falta de ar e dor no peito.

Além da vacinação, algumas medidas podem prevenir essas doenças: higienização das mãos; evitar ambientes fechados e sem ventilação; proteger a boca ao tossir; beber bastante água; evitar o uso de cigarro; manter a alimentação balanceada e saudável e prática regular de atividade física.

Fonte: Jornal do Comércio – Com informações da Agência Brasil

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