Mães protestam contra falta de medicamentos para crianças com deficiência em Barbalha

Atraso no fornecimentos de remédios de alto custo e insumos farmacêuticos chega a mais de três meses em alguns casos, segundo as mães que participaram da manifestação

Um grupo de mães de crianças e adolescentes com deficiência protestou em Barbalha, na região do Cariri, contra o atraso no fornecimento de medicamentos de alto custo e insumos farmacêuticos pela Secretaria de Saúde do Município (SMS). O ato foi realizado na Praça Filgueira Sampaio, em frente à Farmácia Central, e se estendeu por toda a manhã.

De acordo com as mães, a demora na entrega da medicação chega a mais de três meses em alguns casos. Além disso, elas reclamam da falta de materiais básicos utilizados no tratamento das crianças, como fraldas e seringas. Ainda segundo as mães, ao menos 20 pacientes são afetados pelo problema.

Mikaele Batista, mãe de uma criança de 11 anos que tem paralisia cerebral, diz que além de afetar a rotina e as finanças das famílias, a demora na entrega dos insumos e medicamentos desrespeita uma determinação judicial. Segundo ela, a medida obriga a SMS a garantir o suprimento dos materiais.

“As fraldas descartáveis devem ser fornecidas obrigatoriamente por conta dessa ordem da Justiça, mas mesmo assim, elas passam de dois a três meses em falta. [A Secretaria] Nunca fixa uma data [para a entrega], sempre diz que está em falta ou que está para chegar, e nunca tem. É complicado, porque as crianças necessitam desse suporte ininterruptamente, então quando falta, temos que correr atrás e custear as compras”, reclama Mikaele.

Também afetada pelo atraso, Jéssica dos Santos, mãe de uma garota de 6 anos que tem síndrome congênita do Zika vírus, afirma que o problema não é recente. “Essa situação se estende por muito tempo, desde a gestão passada. Esta gestão atual prometeu melhoras, se reuniu com todas as mães e até agora não cumpriu aquilo que prometeu. É uma situação angustiante e muito preocupante porque tem mães aqui que estão desde janeiro sem receber nada”, lamentou.

Por causa do tratamento da filha, Jéssica não pode se dedicar a um emprego formal. Segundo ela, a única fonte de renda da família é o Benefício de Prestação Continuada (BPC), equivalente a um salário mínimo, “Esse valor, nem de longe, é suficiente para eu arcar com os insumos e medicamentos que atrasam. O que a gente precisa é que a Secretaria cumpra a ordem judicial e entregue as coisas no prazo certo”, concluiu.

A Secretaria Municipal de Saúde de Barbalha foi procurada pela reportagem para se manifestar sobre as reclamações das mães, mas não havia emitido resposta até a publicação desta matéria. O pronunciamento será publicado tão logo seja enviado.

Fonte: O Povo.

Com informações do repórter Guilherme Carvalho, da rádio CBN CARIRI

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